Gol GTI

Pioneiro na utilização da injeção eletrônica no Brasil, o Gol GTi fez história ao juntar desempenho e economia em um único modelo


Apresentado em 1988, no Salão do Automóvel de São Paulo, o VW Gol GTi logo se transformou em uma febre nacional. A Volkswagen, disposta a manter sua imagem de criadora de modelos com ótimo desempenho e muita agressividade, não poupou esforços

no desenvolvimento de um dos seus maiores sucessos de público e vendas.
Equipado com uma das grandes novidades da época, o uso da injeção eletrônica em substituição ao tradicional carburador, a Volkswagen acabou se tornando na grande responsável por introduzir oficialmente aqui no Brasil o uso desse tipo de dispositivo. Essa mudança, além de proporcionar ao veículo uma performance excelente, garantiu mais economia de combustível, menos emissão de gases poluentes e baixa manutenção.
Com o motor AP 2000 do Santana, o Gol GTi percorria de 0 a 100 km/h em 8,8 segundos e fazia 185 km/h com uma potência de 120 cv a 5.600 rpm. De concepção bastante atual para a época, seus grandes atrativos eram a boa dirigibilidade oferecida em qualquer regime de rotação do motor e a alta tecnologia, tudo que outros modelos ainda não possuíam.
Com tanto desempenho, a preocupação com o sistema de frenagem não foi esquecida. Para isso, a montadora alemã equipou seu bólido esportivo com freios a disco ventilados na dianteira, enquanto na traseira a opção foi o uso de freios a tambor.

INOVAÇÃO TECNOLÓGICA
Com a injeção eletrônica de gasolina, a rotina de ligar o carro e aguardar seu aquecimento deixou de existir, pois bastava girar a chave, ouvir o ronco do motor e sair sem mais preocupações. Se não bastasse isso, o Gol GTi ainda oferecia uma performance mecânica incrível. A cada troca de marcha, por exemplo, o motor continuava respondendo com a mesma força. Essa era uma das coisas que mais impressionava quem o dirigia.
Outro detalhe que chamava a atenção era a economia de combustível, apesar de ser um esportivo. Com o novo sistema de injeção, seu consumo se mostrava relativamente baixo, percorrendo, segundo a montadora, 14,6 km/l no acumulado entre estrada e cidade, tornando-se uma das grandes vitórias da VW, afinal a junção de esportividade e economia em um único veículo era algo praticamente inexistente naquele período.
É evidente que o uso da injeção eletrônica foi muito importante, mas ela não foi a única responsável por toda essa economia. O GTi também vinha equipado com uma ignição mapeada de última geração, responsável por dar seqüência ao ciclo de funcionamento do motor.
A combinação entre as duas peças importadas proporcionava um controle completo do motor e, conseqüentemente, garantia mais eficiência na queima de combustível – um casamento que poderia ser considerado perfeito se não fosse por alguns problemas eletrônicos.

PANE MOMENTÂNEA
Durante algum tempo, a Volkswagen teve de lidar com sucessivas reclamações de panes ocorridas com a nova tecnologia apresentada – o veículo passou a gerar falhas típicas de carburador sujo mesmo sem o uso da injeção. Porém, os técnicos da VW agiram rápido e solucionaram o defeito, fazendo com que o carro voltasse ao posto de um dos mais procurados pelos brasileiros.
Com características para ser o concorrente mais forte em seu segmento, o GTi, além de sua tecnologia avançada, também se apresentou com um design todo personalizado, a começar pela cor.
O azul era única tonalidade disponível. Essa mesma coloração ainda cobria os faróis de milha, espelhos e aerofólio traseiro. Para contrastar, os pára-choques, confeccionados em plástico, receberam uma pintura de cor cinza, assim como as laterais do carro.
Suas linhas frontais traziam os tradicionais faróis de milha redondos, além dos de neblina, incorporados ao pára-choque, e lâmpadas brancas âmbar cuidavam da iluminação. Apesar de muito cobiçado, o GTi foi desenvolvido para ser um veículo discreto.
Na traseira, as lanternas, com iluminação amarela utilizada no GOL GTS, foram substituídas pelas brancas. Tanto na parte superior, com acabamento em acrílico fumê, quanto na inferior, em vermelho, receberam o novo detalhe. Equipado com rodas de liga leve aro 14”, calçadas com pneus 185/60 HR14, o GTi ainda possuía um aerofólio com linhas mais largas e arredondadas, diferenciando-se do design apresentado no modelo GTS. Na parte traseira do capô, outro detalhe característico: a antena de rádio totalmente flexível. Esse equipamento, importado da Alemanha, auxiliou na composição da exclusividade do conceito.

REQUINTE DE LUXO
Internamente, as novidades foram poucas. Os bancos Recaro, de cor cinza escuro com detalhes de acabamento no tom de azul marinho, todo em tecido, receberam um encosto de cabeça vazado, proporcionando muito mais conforto. O volante era revestido em couro, possibilitando firmeza ao motorista devido à maior aderência.
No painel, o destaque ficava para a utilização de mostradores com iluminação vermelha. Um discreto logotipo GTi foi colocado entre o velocímetro e o conta-giros que equipavam esse verdadeiro fenômeno.
A última moda era a utilização de rádio toca-fitas com sintonia automática e sistema de procura de estações. Assim, o GTi vinha equipado com o que existia de melhor no mercado de som automotivo brasileiro da década de 80. Os vidros e os retrovisores elétricos eram itens de série e davam, ao mesmo tempo, um toque de modernidade e requinte ao carro. Por falar em itens de série, o GTI já saía de fábrica com quase tudo que os outros modelos ofereciam como produtos opcionais. A única exceção era o ar condicionado.
Apesar de tantos atrativos, essa novidade não pôde ser adquirida pela grande maioria de seus fãs. Considerado um dos modelos automotivos mais caros daquela época, o Gol GTi não conseguiu chegar à casa de muitos brasileiros.
Entre erros e acertos, é válido dizer que o Gol GTi marcou para sempre a história dos nossos carros nacionais. Foi um dos mais desejados, evoluiu, serviu de parâmetro para o lançamento de modelos mais modernos e, acima de tudo, contribuiu muito para que a VW pudesse ser uma das montadoras a ocupar o posto mais alto do pódio na preferência da maioria dos consumidores dentro do mercado automotivo

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