Voyage Turbo: 400 cavalos

Quando a Volkswagen lançou o Voyage, em 1981, o comerciante Luiz Fernando de Moura, de Santo André, SP, tinha apenas cinco anos de idade. Provavelmente, nesta época, o sedã derivado do Gol não deve ter lhe chamado a atenção, o mesmo ocorrendo em 1986, quando o cantor Desirelles lançou o álbum François com a famosa canção “Voyage, Voyage”, mas isso logo iria mudar.     
O interesse específico pelo carro surgiu em 1993, quando, aos 17 anos, sua mãe comprou um modelo GLS 1.8. Pouco tempo depois, um amigo fez o mesmo e, para melhorar o desempenho, instalou um turbocompressor no motor AP, transformando o pacato Voyage em um verdadeiro bólido. Assim, após dar algumas voltas no carro, a simpatia que Luiz sentia pelo Volkswagen logo se tornou uma grande paixão, muito embora diversos motivos o tenham impedido de comprar, nos anos que se seguiram, o seu próprio Voyage.
Esta situação começou a mudar em 2003, quando um outro amigo comentou sobre a existência de um certo Voyage GL 1.8 1992. Conforme lhe foi explicado, o veículo, “liso” de lata, tinha quatro portas e, para completar, era preto, a cor preferida de Luiz. Como se tudo isso não bastasse, o carro tinha baixíssima quilometragem, mesmo porque sua proprietária, uma senhora, o havia comprado quando novo e só o utilizou esporadicamente, deixando de fazê-lo depois de adoecer. 
Outro fato interessante é que o Voyage de quatro portas, lançado em 1983, foi vendido no mercado interno somente até 1986, para retornar apenas em 1995. Os modelos de quatro portas feitos neste meio tempo eram exclusivos para exportação e vendidos com os nomes Gacel, Senda, Amazon e Fox. Assim, a conversa, de tão incrível, parecia papo de vendedor, mas, como o Voyage não estava à venda, Luiz ficou curioso e achou que valia a pena conferir a história pessoalmente.

BOM GOSTO
O incansável empresário, depois de muita insistência, conseguiu fazer o filho da proprietária lhe mostrar o elogiado veículo, confirmando em todos os aspectos as informações passadas pelo amigo. O problema é que o sedã tinha grande valor sentimental para o rapaz que, além de cuidar do Voyage, coincidentemente também gostava de carros pretos. Luiz percebeu que os interesses em comum, apesar de terem facilitado o contato inicial, acabariam dificultando uma possível negociação, prevendo assim o trabalho que haveria pela frente. Porém, ele não desistiu de comprar o Voyage e, por várias semanas, tentou convencer mãe e filho a lhe vender o Volkswagen.

Como o carro não estava sendo útil e Luiz demonstrou grande interesse, dois meses depois, a proprietária acabou se decidindo pela venda. Foi mesmo um golpe de sorte: logo em seguida, a tal senhora veio a falecer e, sem sombra de dúvidas, devido a questões sentimentais, isso poderia tornar ainda mais difícil uma possível negociação com o herdeiro. Feliz com a aquisição, Luiz realizou um exame mais detalhado do Voyage, descobrindo assim alguns pequenos pontos de ferrugem, algo comum em um carro com cerca de dez anos de uso.
Apesar dos reparos necessários serem mínimos, o empresário decidiu que, ao invés de fazer uma pequena reforma, iria realizar um serviço muito mais caprichado e duradouro. Assim, na Oficina Tobé Automotivo, toda a tinta original foi raspada com o uso de removedor pastoso, possibilitando a eliminação dos pontos de ferrugem e, logo em seguida, a repintura na mesma cor sólida original de fábrica. Este trabalho também incluiu as proteções laterais e as capas plásticas dos pára-choques do veículo.    
Luiz, mesmo gostando de carros personalizados, felizmente não é dado aos famigerados exageros do famoso “xuning”, optando por não transformar o pobre Voyage em mais uma “carroça de cigano”, como muitas vezes acontece em casos semelhantes. Como resultado disso, todas as mudanças foram devidamente estudadas, resultando em alterações externas sutis, caso da substituição das maçanetas de porta originais pelas do Santana, um recurso simples que evidencia o bom gosto do proprietário. 
Os novos retrovisores externos também são do Santana e apresentam linhas mais arredondadas, demonstrando uma simplificação no design que incluiu a eliminação de todos os emblemas, dando um ar mais leve ao sedã. Aproveitando o fato do carro estar inteiramente desmontado, Luiz comprou e instalou borrachas e vidros verdes novos. Vale citar que, pelo fato do Voyage ter quatro portas, não foi fácil localizar os vidros laterais traseiros, que só foram encontrados em uma concessionária Volkswagen do Pará.  
As rodas de liga-leve que vieram no carro, tipo Orbital, foram substituídas por um jogo feito sob encomenda na Gim Rodas, com aro de 15 polegadas e desenho semelhante ao empregado no Chevrolet Corvette Z06 2006. Elas foram calçadas com pneus Toyo Proxes R888, na medida195/55, e Kumho Ecsta Supra, na medida 195/50.

PREPARAÇÃO AFINADA
A mesma filosofia adotada no exterior foi empregada na parte interna do carro. Refeito na Finess Design, o centro do painel perdeu os difusores de ar e o rádio, cujo espaço foi coberto por uma placa de acrílico fumê. Como Jair pretendia preparar o motor, nesta superfície foram instalados o controlador de bicos HIS (para comandar os futuros bicos injetores suplementares) e os manômetros do turbocompressor, da linha de combustível e do óleo, todos da Autometer. O conta-giros, montado na frente dos instrumentos originais do Voyage, também é da mesma marca e fica bem visível graças ao uso de um volante Momo de três raios. 
Um aspecto curioso diz respeito ao shift-light, que fica escondido atrás do difusor de ar, do lado esquerdo do painel. A manopla da alavanca de câmbio, feita em alumínio, é da marca Shutt, enquanto o revestimento interno dos bancos (sendo os dianteiros da marca Recaro) é de couro cinza. Não se trata, entretanto, de um detalhe original de fábrica, pois este revestimento foi feito sob encomenda para a antiga proprietária em uma tapeçaria especializada neste tipo de serviço.

Definido o visual, havia chegado a hora de modificar a mecânica. Partindo do bloco original, a Keller Mecânica de Automóveis montou uma usina de força de 1.900 cm³, obtida com a troca dos pistões originais Metal Leve, de 81 mm, por outros Ross, norte-americanos, de 83 mm. As novas bielas, forjadas, são da Ancona, enquanto o carburador original deu lugar a um Weber 40.

ATENÇÃO CONSTANTE
O Voyage ficou pronto em novembro de 2007 e, ao dar as primeiras voltas com o “novo” motor, Luiz estranhou o desempenho da máquina, chegando a se assustar com as violentas acelerações e retomadas do sedã.
Em determinadas ocasiões, segundo o proprietário, é possível sentir que o carro torce ligeiramente o monobloco, algo raro em carros como o Gol e o Voyage. Prova disso é que, em 1984, quando o Gol foi homologado para ralis, a engenharia de chassi não realizou nenhuma alteração no monobloco dos carros da equipe. Independente disso alguns veículos que competiram durante cinco anos nunca apresentaram problemas na carroceria, mesmo não sendo equipados com barra antitorção superior (que, inclusive, equipa o Voyage de Luiz).
Assim, apesar da carroceria do sedã ser adequada para grandes esforços, o proprietário permanece em constante vigilância quanto à integridade do sistema de suspensão que, de tempos em tempos, exige que um ou outro parafuso seja apertado.
Os freios dianteiros também demandam atenção especial, tendo em vista que as pastilhas, ainda originais, costumam durar cerca de cinco meses, depois dos quais são sempre substituídas. Estes cuidados são, entretanto, totalmente aceitáveis, considerando-se que estamos falando de um carro de rua com mais de 400 cv de potência que, com toda certeza, torna qualquer “viagem” muito mais rápida.

Fonte: StreetCustoms

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