Ah se todo branco fosse assim

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A recompensa de todo o trabalho, dedicação, dinheiro e suor empregados na montagem do “carro dos sonhos” pode ser retribuida de várias formas. Uma das melhores é o sorriso que o proprietário ostenta quando passa pela garagem para admirar sua obra de arte e suspira: “Vamos dar uma volta, amigo?”

O “bip bip” do alarme é como se fosse a concordância daquele objeto. Chave no contato, perfume de álcool no ar, aceleradas leves para fazer o ar circular, cinto afivelado, espelhos conferidos e o portão se abre lentamente como num filme em câmera lenta. Sem pressa. Apesar do carro ser turbo, os primeiros instantes são como contemplações: Confere-se o óleo, pressão do combustível, mistura ar/combustível e faz-se com que o motor atinja a temperatura ideal sem desgastá-lo. Aquele momento é seu e do seu carro. Você não tem destino certo e nem horário marcado, então não tenha pressa. Os ponteiros já marcam seus valores corretos, o carro está no ponto certo para a primeira acelerada. Pé no porão e a segunda marcha foi engolida há tempos. Terceira, quarta, e entre as trocas de marcha o que se escuta é apenas o grito dos pneus e a espirrada forte da válvula de alívio. Assim são os finais de semana de Erickson Honesko.

Proprietário do VW Passat TS ano 1982 que ilustra esta matéia, Erickson revela-se um verdadeiro apaixonado por este fastback. “Já tive dois Passats, sendo um Village e um Flash e gostei muito deles por conta do motor originalmente forte. Aspirado ou turbo ficam demais!” – diz ele. Comprado em 1982 na concessionária Auto Oficinas Carlos-Romeu em Santa Catarina pelo irmão do chefe de Erickson, o carro foi vendido posteriormente para um amigo que, após muita insistência e inúmeras recusas, resolveu vendê-lo ao atual proprietário em 2008. Ele foi completamente desmontado e preparado para pintura pelo proprietário, que após esta fase foi cuidando do Passat aos poucos, com muita paciência e dedicação, apenas com peças originais.

Todo o interior foi montado nos mínimos detalhes. Após esta fase, Erickson decidiu que daquele ponto em diante a alma esportiva do modelo TS (Touring Sport) retornaria em grande estilo – melhor dizendo, em maior estilo. O moto AP 1.8L foi completamente revisado e novos componentes foram instalados. Bielas, pistões, camisas, bronzinas… tudo foi mantido original, mas pequenos detalhes foram adicionados. O volante do motor foi aliviado para favorecer a subida de giros e o cabeçote recebeu um trabalho de melhoria de fluxo, ângulos, sedes de válvulas e um comando 049G. O carburador 2E foi trabalhado para a nova configuração: turbo! Utilizando uma turbina Master Power .42/.48 com 1,5Bar de pressão regulado por uma wastegate, Erickson não ousa supor qualquer cavalaria pois ainda busca um acerto mais fino. Um reservatório para partida a frio da Fuel Racing foi instalado para o TS funcionar perfeitamente, mesmo em dias mais frios. Você pode correr, mas precisa comer e respirar!

O câmbio teve as três primeiras marchas reforçadas para aguentar o tranco, e utiliza embreagem com discos de cerâmica e platô de 900lbs. A alimentação é feita por uma bomba elétrica de Gol GTI com um dosador de grande vazão que controla a passagem e o retorno do combustível, enquanto a ignição conta com um distribuidor de Gol MI, velas NGK frias de grau 9 e cabos Accel de 8mm revestidos por silicone.

A suspensão foi completamente revisada e um conjunto completo de bolsas para a suspensão a ar foi instalado. Os amortecedores foram trabalhados com maior carga para a configuração de turbo. Apesar de alguns (mesmo fanáticos por carros rebaixados) torcerem o nariz, a suspensão a ar tem ótimas qualidades e, desde que revisada (assim como qualquer outra suspensão), atende piamente às exigências do veículo. Grandes projetos internacionais utilizam sistemas de suspensão a ar em suas concepções por conta da facilidade de acerto.

As bolsas recebem o ar por meio de mangueiras de 8mm sob pressão controlada por solenóides instalados em cada ponto do conjunto. Elas são infladas ou esvaziadas por meio de controles elétricos instalados no painel. As torres dianteiras são amarradas com o uso de um barra anti-torção superior e outra inferior para assegurar a estabilidade do TS. Com um conjunto estético/motriz/suspensão bem acertado, Erickson não quis modernizar o exterior. A maior fuga à originalidade (além da altura) foi a instalação de um conjunto de rodas modelo Dragster de medidas 5,5×14″ calçadas com pneus Kumho de medidas 185/55-14″.

O interior segue a mesma pedida: base completamente original, mas com concessões à monitoração da saúde do motor e suspensão. Ao lado do volante original da linha TS habita um contagiros AutoMeter de 5″ que faz par com o completo painel de instrumentos original, inclusive os mostradores do console central, que ganharam novas companhias. Da Cronomac vieram o manômetro de pressão do turbo e o de pressão do combustível, que foram instalados abaixo dos mostradores originais no console central. Ao lado estão os manômetros da pressão da suspensão.

“Tenho esse carro como um hobby. Só uso para passeios de finais de semana, encontros e eventos. Andar com ele se torna muito prazeroso pelo fato de gostar muito de carros antigos, envenenados e claro, socados. Parti para o veneno do motor como o turbo, comando, cabeçote, acabamentos cromados, etc.. Como sempre fui louco por carros baixos, não estava satisfeito com a altura dele, aí parti para preparação de uma suspensão a ar bem trabalhada até deixar como está hoje. Não foi fácil. Passei várias noites e finais de semana trabalhando no carro, levei um ano e meio para terminar, pois montei sozinho e tinha pouco tempo livre, mas valeu e muito o esforço”, finaliza o proprietário.

Fonte : Jalopnik

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